quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Toda primavera perde a graça

Com as flores morrendo, toda primavera perde a graça
Com flores murchas, toda primavera perde a graça
A insensibilidade no perdão tira toda a graça

Com as flores morrendo, toda primavera perde a graça
Com flores murchas, toda primavera perde a graça
A facilidade de reclamações tira toda a graça

As folhas secas... perde-se a graça da primavera
As folhas sem cor... perde-se a graça da primavera



Tanto faz. Essa é só mais uma estação.




[Se eu te faço pensar que cada espaço garantido é uma conquista, eu estou reduzindo a minha chance de controle, estou te dando controle, posse. A cada vinda esperançosa minha eu não vejo mais sua presença, eu me reapresento a um outro de mim, tão mesquinho quanto eu, me decepciona. Enquanto aqui, eu acho que todos outros estão mais certos que eu. Ele, acha que eu estou errado. E nessa grande diferença não há jogo de empate, eu perco. Não sou tão bom, afinal, meus desejos velhos estão apertados em abraço em mim, podia chegar novos e eu conquistar os velhos. Os novos, se abraçam apertados... Eles hão de chegar. Eles são só mais desejos.]






– Entre mim e você; Palavras –

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Foi um tanto melhor quanto o tanto deixado atrás
Uma sensação nova de graças a mais
Um ar de maravilha talvez única
Tão rápida que deu tempo de piscar e acabar

Razoável no corpo de homem
Impossível fora do corpo de homem
Interminável na alma de homem


[Ainda tentando entender como um simples bater de vento, uma aceleração maior de movimento me tranqüilizou  como um abraço de um amor, um ar calmo, gentil e cauteloso abrindo as portas e janelas, entrando casa a dentro modificando meu pensando... Me fez lembrar o meu amor.]






– Entre mim e você; Palavras –

sábado, 15 de janeiro de 2011

Eu disse que nos encontraríamos perdidos em alguma caminhada
Eu disse que te soltaria para ganhar a madrugada
Mas não me lembro de te trocar
Você ainda anda com essa roupa rasgada

Ah, meu bem, não quero te ver passeando desprotegida
Veja que não há só você perdida
Vem pra eu cuidar das feridas

Quando você se jogou sem mim
O mundo perdeu a vida
Minha vida se desprendeu do mundo
Foi sem mim
Sem pensar no que fiz

E não posso mais te ver sair do meu muro
Outra vez não
Machuca minha fala, eu não vou te gritar, estou mudo

Compre roupas novas
Só venha dizer que não sai
Eu te espero no portão

Comigo você está protegida.


[Maneiras diferentes de me acertar sondam os cantos na minha solidão, os mais impróprios pensamentos lamentam por não terem espaço na minha escolha, os mais impróprios pensamentos se perguntam por que não eles, eu me pergunto por que eles estão assim. Maneiras diferentes de me acertar sondam os contos que quero ter, meus grosseiros pensamentos se escondem por defesa. Queria, hoje, poder conhecer meus pensamentos, apertar a mão e abraçar, queria dizer que tenho que ter paciência com eles, com tudo. Eu nasci pra fazer o bem sem que seja o meu? – Não sei, mas me agrada saber que estou fazendo vocês sorrirem.]



– Entre mim e você; Palavras –

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sua poesia
Sua mentira e sua farsa
A hipocrisia
Tudo isso, e mais um pouco é o que falta

Seu endereço
Sua casa
O que falta é o que mereço
Sempre ando mas nunca passa

Minha fome, censurada
Minha censura esfomeada
Quando me atingi

No branco, tingi - vermelho.



[Na raiva um risco sublinha a palavra, da raiva arriscada um risco na palavra, que me some na mente a mata de imaginação, o palpite e o berro. Quem me some na mata, a mente, um palpite e um berro, nesses passos deu loucura de criação. Mas que fim levou minha palavra e minha raiva rabiscada?]






– Entre mim e você; Palavras –

sábado, 1 de janeiro de 2011

Onde vão

Assim, demorado, com a maior paz
Ela falou aos meus ouvidos que guardaria todas reclamações
E me chamou
Ela contou que eu não seria mais o mesmo e nada me tocaria
Eu sou guardado por ela, pelo amor que guardei

Pus na areia o desejo que não pude contar...
Assoprei... ao mar.
Pus na arei
Assoprei... amor.



[Se não sirvo hoje parar idealizar a verdade não posso contar qualquer desejo. Hoje não, hoje não quero falar com você, quero ela me olhando lá do meio, na infinidade das águas. Vou abrir espaço para cada verso que vier, vou abrir espaço para cada frase que chegar, eu estou preparado para aceitar... Devorei minha esperança e o que der de hoje em diante eu vou seguir... Não nasci para ser quem espero... Nasci para esperar quem quero. Guardai-me, mar azul.]




– Entre mim e você; Palavras –